O médico, ao longo de seu processo de formação, faz uso de
teoria e aplicaçao pratica afim de se tornar apto a intervir em situações
futuras. Deste modo, nos últimos períodos de formação, ele é lançado em
hospitais sob a supervisão de um profissional capacitado. Entretanto, nota-se
uma falha no sistema de Saúde neste ponto, pois as unidades nas quais ocorrera
tal aprendizado, mesmo que abertas á população de um modo geral, conta com infraestrutura
mínima ou decente, uma vez que, quase sempre, se localizam no perímetro urbano,
fugindo da realidade da zona rural e cidades de baixa população. A realidade em
certas regiões ao redor do Brasil é precária, e muitas vezes, chocante, o que obriga
o médico (assim como outros profissionais da saúde) desvencilhar-se de “mimos” essenciais para a prática de uma Saúde
Humana. Veja, abaixo, um trecho do depoimento da cirurgiã Juliana
Mynssen da Fonseca Cardoso, que evidencia a insatisfação de grande parte dos
profissionais quanto às condições de trabalho que são entregues:
“Todos os
nossos médicos são de hospitais públicos que conhecemos, e, se não os usamos
mais, é porque as instituições públicas carecem. Carecem e padecem de leitos,
aparelhos, materiais e medicamentos. Uma vez fiz um risco cirúrgico e colhi
sangue no hospital universitário. No consultório de um professor ele me
pergunta: ‘e você confia?’. ‘Se confio para os meus pacientes tenho que confiar
para mim.’ Eu pratico a medicina. Ela pisa em mim alguns dias, me machuca, tira
o sono, dá rugas, lágrimas, mas eu ainda acredito na medicina. Me faz melhor.
Aprendo, cresço, me torna humana. Faço porque acredito. Nesses últimos dias de
protestos nas ruas e nas mídias brigamos por um país melhor. Menos corrupto.
Transparente. Menos populista. Com mais qualidade. Com mais macas. Com
hospitais melhores, mais equipamentos e que não faltem medicamentos. Um SUS
melhor.”
Essa postagem, entretanto, por não o ter o intuito de se ater
a críticas expressas à condição do SUS, e sim, tentar contornar essa situação
de precariedade dentro do possível (sem infringir os princípios de ética),
apresenta esse trecho como um alarde de que são necessárias mudanças.
Analisando minunciosamente o problema, se torna previsível que a formação do
médico não tem uma abrangência suficiente, de forma a gerar certo desconforto ao
profissional em possíveis ambientes de trabalho que encontrará.
Acredito que muitos cursos de medicina atualmente estão voltados para os polo modernos, esquecendo que a medicina também é exame clínico, atenção básica. Assim, acredito que os estudantes de medicina devam ter mais contato com a medicina da atenção básica desde o principio do curso.
ResponderExcluirEm nossa formação acadêmica, não somos preparados para lidar com tal situação de precariedade e escassez de materiais, equipamentos... Aprendemos a seguir protocolos, que na prática, muitas vezes não são possíveis de ser seguidos devido a essa deficiência. Apesar de lidarmos um pouco com essas situações no internato, a realidade interiorana é pior, e temos de estar capacitados para honrar nosso juramento nessas situações. É necessário sim uma formação médica voltada para a atenção básica.
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ResponderExcluirComo citado nos comentários anteriores, nossa formação é voltada pra hospitais e para especializações. Há uma enorme falta de médicos voltados para atenção básica e que sabem exercer uma medicina tradicional, sem o uso de alta tecnologia. Nota-se ai a enorme contradição, pois em um país falho na saúde em que faltam médicos, aqueles que são formados, não são formados de forma atender as necessidades dessa população.
ResponderExcluirExatamente com o objetivo de, segundo o ministro da Saúde, Arthur Chioro, aprimorar a qualidade e promover a humanização da formação de médico na atenção básica, que foi aprovado pelo CNE que será obrigatório que pelo menos 30% da carga horária do estágio exigido pelo curso de Medicina, em regime de internato, ocorra no Sistema Único de Saúde (SUS), na atenção básica e em serviço de urgência e emergência.
ResponderExcluirFico preocupada com essa questão da infraestrutura do SUS no Brasil, principalmente porque futuramente lidaremos com ela como profissionais da saúde. Nosso governo ao invés de solucionar o problema da saúde investindo na infraestrutura tanto da saúde quando da educação, está desembarcando conteiners de médicos estrangeiros no nosso país, que não solucionam a questão da infraestrutura, e ainda são nossos concorrentes no mercado de trabalho. Realmente, é uma situação preocupante.
ResponderExcluirO acadêmico de medicina deve ser "treinado" para lidar com a triste realidade do nosso país, em que, nos hospitais, falta tudo. A teoria da medicina é muito linda, mas a prática pode ser muito triste.
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