quarta-feira, 28 de maio de 2014

A Definição de uma conduta mais apropriada por parte do Profissional


Voltando a questão do profissional diante a ausência de testes bioquímicos, tema que propositalmente foi colocado de lado na postagem anterior, percebe-se que a conduta ideal é possível (pois é abrangida na formação médica) mas tem tomado distancia do caminho muitas vezes adotado pelos profissionais, problemática que será enfatizada neste presente texto.
Os exames bioquímicos têm, sem dúvida, grande importância para um diagnóstico hospitalar, mas nem por isso eles são indispensáveis, como se tem pensado. A verdade, é que o mesmo não impossibilita a presença de outros exames, menos complexos e viáveis diante a condição que nos é apresentada. Dentre eles, cito um exame de fundamental importância na prática médica de rotina, que é o exame clínico, que é o exame físico acompanhado de anamnese, e do conhecimento prévio do perfil epidemiológico da região.
Abaixo, segue-se uma conceituação de termos que poderão ser encontrados ao longo da temática do blog:

Exame Físico:
Conjunto de técnicas e manobras de alguns profissionais de saúde com o intuito de diagnosticar uma doença ou problemas de funcionalidade, entre outros. Os profissionais de saúde que se utilizam desse instrumento visam a detecção de anormalidades para possíveis intervenções e para prevenção do agravamento do estado do paciente. O exame físico pode utilizar aparelhos, tais como: estetoscópio, esfigmomanômetro, termômetro, entre outros objetos de fácil transporte e básicos de um médico, independente do seu campo de atuação.O exame físico pode ser geral ou focal e se divide em quatro etapas: inspeção, ausculta, palpação e percussão. Essas técnicas podem ser aperfeiçoadas com paciência, prática e perseverança. Vale ressaltar que o sentido do exame deve ser céfalo-podálico (indo da cabeça aos pés).
Inspeção: exige a utilização do sentido da visão. Tem como objetivos detectar dismorfias, distúrbios do desenvolvimento, lesões cutâneas, presença de catéteres e tubos ou outros dispositivos.
Palpação: obtenção do dado através do tato e da pressão (para regiões mais profundas do corpo). Identifica modificações na estrutura, espessura, consistência, volume e dureza.
Percussão: através de pequenos golpes, é possível escutar sons. Cada estrutura tem um som característico. Os sons obtidos podem ser: maciço (onde o local tocado é "duro", pode indicar hemorragia interna ou presença de secreções), timpânico (indica presença de ar), som claro pulmonar (indica presença de ar nos alvéolos)
Ausculta: procedimento que detecta sons do organismo, só que diferente da percussão, esse procedimento usa aparelhos para auxílio, por exemplo o estetoscópio.

Anamnese:
do grego ana, trazer de novo e mnesis, memória, anamnese é uma entrevista realizada pelo profissional de saúde ao seu paciente, que tem a intenção de ser um ponto inicial no diagnóstico de uma doença ou patologia. Em outras palavras, é uma entrevista que busca relembrar todos os fatos que se relacionam com a doença e à pessoa doente.

Tendo feita uma conceituação introdutória, passemos para a análise individual de cada uma dessas componentes do exame clínico, assunto retratado nas próximas postagens.

Na Análise de como o profissional é preparado para atuar em áreas sem infraestrutura adequada


O médico, ao longo de seu processo de formação, faz uso de teoria e aplicaçao pratica afim de se tornar apto a intervir em situações futuras. Deste modo, nos últimos períodos de formação, ele é lançado em hospitais sob a supervisão de um profissional capacitado. Entretanto, nota-se uma falha no sistema de Saúde neste ponto, pois as unidades nas quais ocorrera tal aprendizado, mesmo que abertas á população de um modo geral, conta com infraestrutura mínima ou decente, uma vez que, quase sempre, se localizam no perímetro urbano, fugindo da realidade da zona rural e cidades de baixa população. A realidade em certas regiões ao redor do Brasil é precária, e muitas vezes, chocante, o que obriga o médico (assim como outros profissionais da saúde) desvencilhar-se de  “mimos” essenciais para a prática de uma Saúde Humana. Veja, abaixo, um trecho do depoimento da cirurgiã Juliana Mynssen da Fonseca Cardoso, que evidencia a insatisfação de grande parte dos profissionais quanto às condições de trabalho que são entregues:
“Todos os nossos médicos são de hospitais públicos que conhecemos, e, se não os usamos mais, é porque as instituições públicas carecem. Carecem e padecem de leitos, aparelhos, materiais e medicamentos. Uma vez fiz um risco cirúrgico e colhi sangue no hospital universitário. No consultório de um professor ele me pergunta: ‘e você confia?’. ‘Se confio para os meus pacientes tenho que confiar para mim.’ Eu pratico a medicina. Ela pisa em mim alguns dias, me machuca, tira o sono, dá rugas, lágrimas, mas eu ainda acredito na medicina. Me faz melhor. Aprendo, cresço, me torna humana. Faço porque acredito. Nesses últimos dias de protestos nas ruas e nas mídias brigamos por um país melhor. Menos corrupto. Transparente. Menos populista. Com mais qualidade. Com mais macas. Com hospitais melhores, mais equipamentos e que não faltem medicamentos. Um SUS melhor.

Essa postagem, entretanto, por não o ter o intuito de se ater a críticas expressas à condição do SUS, e sim, tentar contornar essa situação de precariedade dentro do possível (sem infringir os princípios de ética), apresenta esse trecho como um alarde de que são necessárias mudanças. Analisando minunciosamente o problema, se torna previsível que a formação do médico não tem uma abrangência suficiente, de forma a gerar certo desconforto ao profissional em possíveis ambientes de trabalho que encontrará. 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Introdução

Nos últimos séculos viu-se um avanço dramático de técnicas de controle e prevenção de doenças a partir de descobertas em vários campos da ciência. Desde descoberta de agentes patológicos e drogas que atuam de forma a impedir o avanço da sintomatologia dos quadros clinicos, o passar dos anos trouxe a garantia de uma vida com mais qualidade e cada vez mais longa, o que tirou as doencas infecto-contagiosas dos holofotes e passou a tomar-se como preocupação doenças inerentes a condição humana, as de origem crônico-hereditaria. No intuito de reaver a saúde à populacao de um modo geral, padrões de normalidade foram traçados para prévia suspeita de possíveis futuras complicações nos indivíduos. A análise bioquímica, como foi denominada, atua na captura de dados quantitativos e qualitativos de elementos químicos do organismo biológico de forma a estabelecer um estudo mais aprofundando do meio de ação da doença. Entretanto problemas de diagnóstico pouco esclarecedores foram notados, métodos arcaicos e ainda manuais mostravam-se cada vez mais ineficientes, e assim a tecnologia foi de forma vertiginosa mesclando-se aos exames clínicos, aliando-se aos profissionais de saúde como algo quase que imprescindível. Máquinas cada vez mais independentes e de tecnologia de ponta elevaram o valor do acesso à saúde, restrigiram e criaram centros conceitos de saúde, que em paises com proporções continentais como o Brasil, tornou-se um problema real. Surgiram então polos tecnologicos como São Paulo e Rio de Janeiro como conceitos em saúde, enquanto em regiões não muito distantes, como em várias cidades interioranas, a ausência de uma infraestrutura básica para a prática de saúde se tornava cada vez mais discrepante. O objetivo desse trabalho em forma de blog, é então apresentar uma resolução em algumas atividades bioquímicas relacionadas a Saúde da populacao de regiões desprovidas de qualquer tecnologia de ponta, de modo a servir como uma alternativa mais real para o profissional que pouco dispõe em seu ambiente de trabalho. Alem do mais, as postagens contarão, sempre que possível, com releitura histórica de alguns métodos hoje já considerados rudimentares.