Voltando a questão do profissional diante a ausência de testes
bioquímicos, tema que propositalmente foi colocado de lado na postagem
anterior, percebe-se que a conduta ideal é possível (pois é abrangida na
formação médica) mas tem tomado distancia do caminho muitas vezes adotado pelos
profissionais, problemática que será enfatizada neste presente texto.
Os exames bioquímicos têm, sem dúvida, grande importância para um
diagnóstico hospitalar, mas nem por isso eles são indispensáveis, como se tem pensado. A verdade, é que o mesmo não
impossibilita a presença de outros exames, menos complexos e viáveis diante a
condição que nos é apresentada. Dentre eles, cito um exame de fundamental
importância na prática médica de rotina, que é o exame clínico, que é o exame
físico acompanhado de anamnese, e do conhecimento prévio do perfil
epidemiológico da região.
Abaixo, segue-se uma conceituação de termos que poderão ser encontrados
ao longo da temática do blog:
Exame Físico:
Conjunto de técnicas e manobras de alguns profissionais de saúde com o
intuito de diagnosticar uma doença ou problemas de funcionalidade,
entre outros. Os profissionais de saúde que se utilizam desse instrumento visam
a detecção de anormalidades para possíveis intervenções e para prevenção do
agravamento do estado do paciente. O exame físico pode utilizar aparelhos, tais como: estetoscópio, esfigmomanômetro, termômetro,
entre outros objetos de fácil transporte e básicos de um médico, independente
do seu campo de atuação.O exame físico pode ser geral ou focal e se divide em
quatro etapas: inspeção, ausculta, palpação e percussão.
Essas técnicas podem ser aperfeiçoadas com paciência, prática e perseverança.
Vale ressaltar que o sentido do exame deve ser céfalo-podálico (indo da cabeça
aos pés).
Inspeção: exige a utilização do sentido da visão.
Tem como objetivos detectar dismorfias, distúrbios do desenvolvimento, lesões
cutâneas, presença de catéteres e tubos ou outros dispositivos.
Palpação: obtenção do dado através do tato e da
pressão (para regiões mais profundas do corpo). Identifica modificações na
estrutura, espessura, consistência, volume e dureza.
Percussão: através de pequenos golpes, é possível
escutar sons. Cada estrutura tem um som característico. Os sons obtidos podem
ser: maciço (onde o local tocado é "duro", pode indicar hemorragia
interna ou presença de secreções), timpânico (indica presença de ar), som claro
pulmonar (indica presença de ar nos alvéolos)
Ausculta: procedimento que detecta sons do
organismo, só que diferente da percussão, esse procedimento usa aparelhos para
auxílio, por exemplo o estetoscópio.
Anamnese:
do grego ana, trazer de novo e mnesis,
memória, anamnese é uma entrevista realizada pelo profissional de
saúde ao seu paciente, que tem a intenção de ser um ponto inicial no diagnóstico de
uma doença ou patologia. Em outras palavras, é uma entrevista que
busca relembrar todos os fatos que se relacionam com a doença e à pessoa
doente.
Tendo
feita uma conceituação introdutória, passemos para a análise individual de cada
uma dessas componentes do exame clínico, assunto retratado nas próximas
postagens.
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ResponderExcluirA anamnese é muito importante e todos os seus elementos merecem a atenção do médico: identificação, queixa e duração, história pregressa da moléstia atual, interrogatório complementar, interrogatório sobre diversos aparelhos, antecedentes pessoais, antecedentes familiares, história profissional-ocupacional, história socioeconômica e história espiritual/cultural.
ResponderExcluirO exame clínico está cada vez mais desprezado pelos médicos atuais. A nossa formação volta-se para o uso de tecnologias e para o abuso de exames, formando médicos inexperientes na realização de exames clínicos. Isso é lamentável, pois o exame clínico é o mais importante, pois o médico entra em contato com os hábitos e com o próprio corpo do paciente. Assim, os exames bioquímicos, como a Silvia falou, devem ser confirmações daquilo que suspeita-se no exame clínico.
ResponderExcluirUm bom exame clínico, que atualmente esta sendo esquecido ou mal feito, dispensa o uso de alguns exames bioquimicos. A grande parte dos médicos é preparada para o ''moderno'' e não fazem ou não sabem realizar o principio da medicina, o exame clínico.
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ResponderExcluirNa prática, sabemos que para um médico ser considerado um bom profissional não pode abandonar por completo o exame clínico. Nós, como paciente, criticamos um médico que não realiza esse exame em uma consulta. Considero errôneo afirmar que nossa formação não nos prepara para executar um bom exame clínico, acredito que isso está mais relacionado à individualidade de cada profissional que opta por se dedicar verdadeiramente ou não à sua profissão.
ResponderExcluirEm momento nenhum foi afirmado que nossa formacao naos nos prepara para a execução de um bom exame clinico, vide postagem anterior.
ExcluirNo atendimento clínico, o exame físico é um procedimento de extrema importância para avaliação e diagnóstico do paciente. Atualmente, vêm sendo deixado de lado por muitos médicos que em meio a disponibilidade de exames laboratoriais cada vez mais eficientes, não querem se ver responsáveis por um diagnóstico errôneo. No entanto, em regiões com estrutura mais carente, esses exames apresentam-se, por vezes, indisponíveis. E uma boa avaliação física associada a entrevista passa a ser fator imprescindível para o diagnóstico/tratamento desses pacientes.
ResponderExcluirVemos uma realidade de médicos muito distantes dos pacientes atualmente. Em uma consulta que deveria ter uma boa anamnese, um bom exame clínico, o médico troca apenas algumas palavras com o paciente e pede uma bateria gigante de exames. Se fosse feito um bom atendimento clínico poderia se poupar tempo e dinheiro, pedindo menos exames porque se teria mais certeza do que poderia ser a doença que afeta o paciente. São alguns minutos a mais que são gastos pelo médico com seu paciente que podem facilitar muita coisa (e as vezes trazer a tona várias coisas que um exame bioquímico não traria) e não dar a má imagem ao médico, que "nem toca no paciente".
ResponderExcluirA anamnese é definida como a primeira fase de um processo, no qual a coleta desses dados permite ao profissional de saúde identificar problemas, determinar diagnósticos, planejar e implementar sua assistência. A anamnese é composta de identificação do cliente (nome, idade, gênero, endereço, estado civil, profissão), queixa principal (consiste no motivo pela procura do profissional de saúde), história da doença atual (se refere ao processo da queixa principal, contendo informações do início, durabilidade, como se deu a evolução, características da dor), história médica pregressa (dados sobre as patologias atuais ou passadas, que, necessariamente, não têm que estar relacionadas com a queixa principal, mas também são importantes), alergias (sempre é importante relatar alergias, pois, dependendo do tipo, podem interferir na prescrição de medicamentos) e hábitos de vida (atividades físicas, tabagismo, sedentarismo, alcoolismo).
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