quinta-feira, 26 de junho de 2014

Introdução ao Exame Fisico: Inspeção

Alguns profissionais de saúde, principalmente os médicos, fazem uso de técnicas e manobras com o intuito de diagnosticar uma doenças ou problemas de funcionalidade, entre outros, visando a detecção de anormalidades para possíveis intervenções e para prevenção do agravamento do estado do paciente. Denominamos esse instrumento, importante para detecção de alterações fora dos padrões da função e da estrutura corporal dos pacientes, de exame físico. O exame físico é um procedimento que faz parte do cotidiano do profissional de saúde na prestação do cuidado clínico.

Este procedimento se realiza por meio de técnicas científicas que permitem a aproximação do profissional de saúde com o corpo do cliente, e tem sua importância na medida em que aponta as alterações biofisiológicas que estão causando-lhe doença. Serve ainda para orientar a equipe de saúde no tratamento das doenças.

Como vimos anteriormente, a primeira etapa de uma investigação diagnóstica é a anamnese, o exame físico é a segunda etapa desse processo. Assim como necessita-se de aparelhos tecnológicos para realização de exames bioquímicos, o exame físico dispõe também de sua tecnologia para uma melhor análise clínica, porém de baixa complexidade e custo, acessível a todos profissionais que usam o exame físico como base diagnóstica. O objetivo é melhor avaliar um órgão ou sistema na busca de mudanças anatômicas ou funcionais que são resultantes da doença. Outra ponto importante do exame físico é o contato proporcionado que permite conhecer o paciente, facilita a comunicação e o cuidado humanizado.

 Assim, a estimulação tátil tem efeitos profundos sobre o organismo, tanto fisiológicos quanto comportamentais. O toque é um aspecto da comunicação não-verbal, talvez a sua faceta mais admirável para transmitir empatia e segurança. Quanto a sua classificação, o exame físico pode ser geral, ou específico para os diferentes sistemas e aparelhos da anatomia humana, e se divide em quatro etapas: inspeção, ausculta, percussão e palpação, nesta ordem, no sentido céfalo-caudal, também denominadas de técnicas propedêuticas. Inspeção: exige a utilização do sentido da visão. Tem como objetivos detectar dismorfias, distúrbios do desenvolvimento, lesões cutâneas, presença de catéteres e tubos ou outros dispositivos.

Vejamos um exemplo de como podemos usar a inspeção para o diagnóstico da patologia anemia, que é comum principalmente em crianças nos primeiros anos de vida causada pela deficiência de ferro ou de outras patologias associadas. O profissional que tem em mente todas as etapas da avaliação clínica terá um instrumento poderoso na detecção dessa alteração sem necessidade de exames laboriais para diagnóstico.

O paciente que chega ao serviço de saúde referindo queixas de cansaço, fraqueza, tonturas, apatia, falta de ar, palpitações no momento da consulta, esses sintomas serão colhidos e analisados na primeira etapa, a anamnese. Nesse momento o profissional experiente já pode estar associando algumas patologias que apresentam algum desses sintomas, e irá excluí-los de um por um, sanando suas dúvidas e suspeitas a partir do exame físico, resultando mais segurança na hora de definir o dignóstco do paciente. No caso apresentado, o sinais da anemia através da inspeção do exame físico direcionado, busca idenficar sinais de palidez em pele e mucosas presentes em vários segmentos anatômicos, como a conjuntiva ocular, as palmas da mão, o leito ungueal, língua e lábios.

 A identificação de alterações na coloração confirma a suspeita clínica levantada pelos sintomas. Assim, o conhecimento precoce ajuda o profissional instituir o tratamento adequado e de forma segura, buscando impedir que a patologia se desenvolva e cause maiores danos no paciente, já que no caso apresentado, a progressão da anemia pode trazer ao sujeito complicações neurológicas graves, ou até o óbito, principalmente em crianças.

7 comentários:

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  2. A inspeção constitui parte importante do exame físico, usando-se a visão o clínico deve tentar identificar quaisquer tipos de dismorfias, distúrbios do desenvolvimento, lesões cutâneas, presença de catéteres ou outros dispositivos. Além de avaliar comportamento e características psicossociais do paciente.

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  3. A inspeção física é fundamental no diagnóstico de muitas doenças e, infelizmente, vem sendo desprezado por muitos médicos. É importante lembrar que, em alguns casos, o exame físico tira dúvidas de suspeitas médicas e um exemplo disso é a dúvida se uma paciente está com apendicite ou inflamação ovariana. Conforme a localização do apêndice (pélvico, voltado para o fígado, na frente ou atrás do intestino grosso) a dor pode ser em locais distintos. Por esses motivos, uma investigação médica bastante minuciosa, acompanhada de exame físico completo, contribui para o diagnóstico correto e é suficiente em até 90% dos casos, conforme alguns estudos.
    http://www.einstein.br/einstein-saude/pagina-einstein/Paginas/diagnostico-de-apendicite-requer-exame-minucioso.aspx

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  4. Eu já comentei sobre esse acontecimento, mas lendo esse post me lembrei dele e acredito que sua citação cai bem aqui. Nas últimas férias, tive o privilégio de acompanhar um médico, conhecido de minha família, em suas atividades rotineiras. Em um dos dias, no atendimento público de urgência da cidade, chegou uma paciente se queixando de muita alergia. Relatou que havia tomado vários anti alérgicos mas a coceira que ela sentia, não aliviava de forma alguma. O médico fez um exame físico muito simples na paciente e notou que suas córneas estavam amareladas. Pediu alguns exames e logo que saíram os resultados ele confirmou sua suspeita: a paciente estava com hepatite, o que causa aumento de bilirrubina circulante, que deixou suas córneas amareladas e que é uma substância que causa prurido. A hepatite é uma doença muito mais séria do que uma simples alergia, e só foi diagnosticada por causa de um exame físico, um "olhada mais próxima" do médico. Isso ressalta a importância dos pequenos atos médicos no dia a dia da prática de sua profissão. O exame físico é um desses pequenos atos com grande peso.

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  5. A inspeção é uma etapa importante do exame físico e precisa ser bem realizada. O profissional inspeciona ou examina visualmente o paciente para detectar sinais físicos. Em primeiro lugar ele aprende a reconhecer as características físicas normais, para então passar a distinguir aquilo que foge da normalidade. E necessária muita experiência para reconhecer as variações normais entre os pacientes, assim como as variações de normalidade de um paciente em particular. A extensão dos achados dependera de o profissional utilizar uma abordagem metódica, certificando-se de que todas as áreas sejam inspecionadas completamente. A qualidade dessa inspeção dependera da disposição do profissional em gastar o tempo necessário a um exame completo.
    Iluminação adequada a exposição total da parte do corpo para exame são fatores essenciais para uma boa inspeção. Cada área deve ser inspecionada quanto ao tamanho, aparência, coloração, simetria, posição e anormalidades. Se possível, cada área inspecionada deve ser comparada com a mesma área no lado oposto do corpo. Para inspecionar as cavidades do corpo, uma fonte adicional de iluminação e necessária. O profissional que faz uma investigação minuciosa durante uma inspeção obterá muitas informações sobre o paciente. Os achados resultantes de uma inspeção assim realizada, poderão levantar questões que exijam um exame mais profundo. A palpação e frequentemente utilizada durante ou após a inspeção.

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  6. É o ato de observar e inspecionar. É um método em que se utiliza o sentido da visão na avaliação do aspecto, cor, forma, tamanho e movimento das diversas áreas corporais. A inspeção pode ser estática, quando é realizada como o paciente em repouso, ou dinâmica, na qual o examinador observa os movimentos corporais do paciente e as alterações decorrentes dos mesmos. No primeiro contato com o paciente faz-se uma inspeção geral em que o enfermeiro observa o estado aparente de saúde, nível de consciência, estado nutricional e de hidratação, estatura, postura, atividade motora, cor da pele, higiene pessoal, humor e tipo de fala. A inspeção específica é realizada no exame dos diversos aparelhos.

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  7. Todas as características observadas e que se constituem em alterações da normalidade devem ser minuciosamente descritas no prontuário do paciente, tais como: localização precisa, dimensão, forma, cor, relações com estruturas normais, aspectos da superfície, etc.
    Sobre a inspeção, costuma-se dizer: “Não basta olhar, há que se ver, não basta ver, há que se analisar, não basta analisar, há que se compreender, não só uma parte, mas o todo”.

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